A história de um autista adulto: o músico e palestrante Lucas Sampaio
- cantorlucassampaio
- 7 de jul.
- 3 min de leitura

Cada vida é uma canção única, com seus próprios acordes, melodias e ritmos. A minha, a história de um autista adulto, Lucas Sampaio, é regida por uma sinfonia que, por muito tempo, parecia apenas minha, inaudível para a maioria. Como músico autista brasileiro e palestrante, aprendi a traduzir as complexidades da minha neurodiversidade em notas e palavras que tocam o coração de quem ouve.
Não se trata de uma história extraordinária, mas de uma jornada humana, repleta de desafios, descobertas e, acima de tudo, a busca incessante pela inclusão e pelo pertencimento.
O início da minha jornada
Minhas primeiras memórias são um turbilhão de sensações. Sons eram mais altos, luzes mais brilhantes, e as interações sociais, um enigma complexo. Eu sentia o mundo de uma forma amplificada, e isso, muitas vezes, me isolava. O diagnóstico de autismo veio aos seis anos de idade, a partir daí começou a se encaixar. De repente, muitas das minhas particularidades faziam sentido.
Essa foi a semente da minha experiência de vida autista, que me levou a entender que eu via o mundo de uma maneira única, parte de um espectro da neurodiversidade. Nesse período, a música começou a surgir como um refúgio, um porto seguro onde eu podia encontrar ordem e expressar o que as palavras muitas vezes não alcançavam. Era a melodia que me dizia: "você não está sozinho".
Desafios e descobertas como autista adulto
A transição para a vida adulta trouxe novos desafios e descobertas. O mercado de trabalho, as relações interpessoais, a autonomia – tudo exigia novas adaptações e um profundo autoconhecimento. A sociedade, muitas vezes, ainda não está preparada para enxergar as singularidades, e o preconceito é um obstáculo real.
Mas foi nesse cenário que minha voz, tanto como músico autista quanto como palestrante, começou a se fortalecer. Decidi que minha história não seria contada apenas para mim, mas para o mundo. Usei a música para quebrar o gelo, para criar empatia, e minhas palestras sobre autismo se tornam um convite à conscientização e à inclusão. Cada palco é uma oportunidade de mostrar que a experiência de vida autista é rica, complexa e cheia de potencial.
Dando voz à Neurodiversidade
Hoje, sinto a importância de ser uma voz para a representatividade da neurodiversidade. Minha história não é apenas sobre mim; é sobre cada pessoa no espectro que busca seu lugar no mundo. Através da minha música e das minhas palestras, busco desmistificar o autismo, mostrando as capacidades e perspectivas que existem dentro do espectro autista.
É uma forma de ativismo que visa a quebra de estigmas sociais e a construção de pontes de inclusão social. Viajar pelo Brasil, do meu lar em Maceió, Alagoas, para cidades como Brasília, e ver o impacto que minha experiência de vida autista causa nos públicos, me enche de esperança. É a prova de que a arte e a autenticidade são ferramentas poderosas para a inclusão.
Um futuro mais inclusivo
Meu desejo é que, ao compartilhar minha jornada como músico e palestrante autista, eu possa inspirar outros a abraçarem sua autoconfiança, a encontrarem suas vozes e a contribuírem para um mundo onde a inclusão não seja um desafio, mas a norma. É uma canção que se constrói a cada passo, a cada nota de aceitação, e a cada coração que se abre para a diversidade humana.
Dedico minha vida a essa conscientização e à inclusão. Meu trabalho é um convite à empatia e à ação. Se a minha jornada ressoa com você e você acredita no poder da representatividade para a transformação social, convido você a acompanhar meu trabalho e a se engajar nessa causa em meu Instagram. Ser diferente é fazer a diferença!



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