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A importância dos Conselhos de profissões regulamentadas para a inclusão, por um músico e palestrante autista

  • Foto do escritor: cantorlucassampaio
    cantorlucassampaio
  • 3 de jun.
  • 3 min de leitura

Conselho Federal de Medicina (CFM), em Brasília.

Em minha jornada como músico autista brasileiro e palestrante dedicado à inclusão e à neurodiversidade, percebo que o caminho para uma sociedade verdadeiramente acolhedora é pavimentado por muitos atores. Entre eles, há um grupo que, embora muitas vezes percebido como distante ou burocrático, detém um poder imenso na construção desse futuro: as autarquias públicas, como os conselhos federais e regionais de profissões regulamentadas.


Eles são os condutores que podem enfatizar a conduta ética de milhões de profissionais. Hoje, quero compartilhar minha visão sobre como esses órgãos podem, e devem, desempenhar um papel fundamental na conscientização sobre o autismo e a neurodiversidade em todo o Brasil.


A regulamentação: minha percepção dos Conselhos profissionais


Para mim, os conselhos profissionais são como os guias que orientam a execução de uma grande variedade de ações. Eles estabelecem as regras, a ética e os padrões que guiam médicos, advogados, psicólogos e tantos outros. Mas percebo que o alcance desses órgãos vai muito além da fiscalização. Eles têm a oportunidade única de influenciar diretamente a forma como milhões de profissionais se relacionam com a sociedade.


Almejo um cenário onde a ética profissional já inclua, de forma intrínseca, o conhecimento e o respeito às particularidades da neurodiversidade. Essa é a base de um governo inclusivo que se reflete em cada esfera da vida cidadã, e os conselhos podem ser um grande catalisador para isso.


Afinando a conscientização: autarquias como vozes potentes para a Neurodiversidade


Minha experiência como palestrante me mostra que a conscientização sobre o autismo é uma semente que precisa ser regada constantemente. E as autarquias têm um megafone poderoso para essa tarefa. Elas podem ser vozes potentes, disseminando informações qualificadas e combatendo a desinformação sobre a neurodiversidade em suas respectivas áreas.


Exemplos: um Conselho Federal de Medicina (CFM) orientando sobre o diagnóstico precoce do autismo, um Conselho Federal de Psicologia (CFP) promovendo a comunicação inclusiva em terapias, ou um Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) incentivando a acessibilidade para pessoas autistas em projetos.


Essa responsabilidade social dos conselhos pode gerar uma transformação social imensa, garantindo que o conhecimento sobre a neurodiversidade permeie a prática profissional.


Capacitando o profissional inclusivo: a formação imprescindível


Um dos maiores legados que as autarquias podem construir é a capacitação de um profissional verdadeiramente inclusivo. Isso significa ir além da teoria nas universidades e garantir que a formação profissional inclusiva seja uma realidade contínua.


Conselhos podem criar diretrizes, promover cursos de atualização e exigir que seus membros tenham conhecimento sobre as particularidades de pessoas com autismo e outras neurodivergências. Eles podem incentivar a representatividade em conselhos de pessoas com deficiência, para que a voz da experiência viva guie a construção de normativas.


Qual o impacto real na minha visão como músico e palestrante autista?


No fim das contas, a importância das autarquias para mim, como músico autista e cidadão, se traduz no impacto real na vida das pessoas. Quando um profissional de saúde entende minhas nuances sensoriais, quando um advogado sabe como me comunicar em um processo, ou quando um professor reconhece meu jeito único de aprender, a inclusão deixa de ser um conceito, se tornando uma vivência.


As ações desses conselhos têm o poder de transformar o cotidiano, de abrir portas no mercado de trabalho inclusivo e de garantir que os direitos dos autistas sejam respeitados na prática. Eles são os guardiões da boa conduta que podem garantir que a neurodiversidade seja acolhida e valorizada em todos os setores da sociedade.


Minha visão é que as autarquias públicas possuem uma ferramenta poderosa para moldar um Brasil mais inclusivo. Ao assumirem um papel proativo na conscientização sobre o autismo e a neurodiversidade, e ao guiarem seus profissionais para uma abordagem inclusiva baseada na empatia e no conhecimento, elas podem ser grandes maestras de uma verdadeira transformação social.


Como músico e palestrante autista, continuarei a espalhar essa mensagem, na esperança de que cada conselho profissional se junte a esse árduo caminho pela inclusão real. Se você acredita nesse potencial e quer ver esses avanços acontecerem, convido você a acompanhar meu trabalho e a se engajar nessa causa no meu Instagram e no meu canal do YouTube.

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