A visão de um palestrante autista sobre a Acessibilidade
- cantorlucassampaio
- 7 de set.
- 3 min de leitura

A acessibilidade é, muitas vezes, associada a rampas e elevadores. No entanto, para mim, um músico e palestrante autista, a palavra vai muito além da estrutura física. Ela se estende para a forma como o mundo é percebido, como a comunicação é trocada e como o ambiente acolhe as particularidades da neurodiversidade. Neste artigo, compartilho minha visão sobre a importância das pautas de acessibilidade para autistas e outras pessoas com deficiência no Brasil e no mundo, demonstrando que a verdadeira inclusão só se concretiza quando a acessibilidade é pensada em sua totalidade.
Acessibilidade sensorial e comunicacional
A acessibilidade para a população autista tem camadas. A primeira e mais visível é a acessibilidade física, que garante o acesso a espaços e serviços. Mas, de igual importância, estão a acessibilidade sensorial e a acessibilidade comunicacional.
A acessibilidade sensorial diz respeito à criação de ambientes que minimizem o excesso de estímulos que podem ser sobrecarregantes para pessoas no espectro. Isso inclui a redução de ruídos altos, luzes intensas e odores fortes em espaços públicos, como shoppings, aeroportos ou locais de eventos. Já a acessibilidade comunicacional é a garantia de que as informações sejam transmitidas de maneira objetiva e direta, respeitando as diferentes formas de processamento da informação e a comunicação social de indivíduos com neurodiversidade.
Minha experiência de vida autista me ensinou que um local pode ser fisicamente acessível, mas se o ambiente sonoro ou visual for caótico, a inclusão se torna impossível. Minhas palestras sobre autismo buscam justamente destacar essas nuances, mostrando que a transformação social exige uma visão mais completa da acessibilidade.
Por que a Acessibilidade é um propósito global?
A luta pela acessibilidade transcende fronteiras e beneficia a todos. Quando um país, como o Brasil, investe em políticas públicas para autismo que consideram a acessibilidade em todas as suas formas, ele se torna um modelo de inclusão social. A criação de espaços sensoriais em eventos, a oferta de instruções claras e a adaptação de processos seletivos em empresas são exemplos de boas práticas de inclusão que tornam a sociedade mais justa e funcional para todos.
A acessibilidade para autistas não é uma concessão, mas um direito. Ao garantirmos que os espaços públicos, o mercado de trabalho e as instituições de ensino sejam acessíveis, abrimos as portas para que o talento e o potencial da neurodiversidade floresçam. É um investimento em um futuro mais inovador e equitativo.
O papel do palestrante autista na promoção da Acessibilidade
Como músico e palestrante sobre autismo e inclusão, meu propósito é ser a voz que ilumina as barreiras invisíveis da acessibilidade. Minha atuação não se restringe a eventos; ela busca inspirar a empatia e a ação em órgãos públicos, empresas privadas, ONGs e associações. A música que levo ao palco é uma forma de demonstrar a riqueza da neurodiversidade e de como ela pode ser expressa quando o ambiente é acolhedor e acessível. Ao me contratar, uma organização demonstra seu compromisso em ir além do básico, abraçando a inclusão como um valor.
A acessibilidade é a chave para a verdadeira inclusão. Minha visão, como palestrante autista, é que só poderemos construir uma sociedade justa quando a acessibilidade for pensada em sua totalidade: física, sensorial e comunicacional. Se você se conecta com essa visão e quer ser um agente de transformação social, convido você a entrar em contato para agendarmos uma conversa e levarmos essa mensagem para sua organização.



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