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Autismo e Música: uma perspectiva pessoal

  • Foto do escritor: cantorlucassampaio
    cantorlucassampaio
  • 23 de jun.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 24 de jun.

Músico e palestrante autista Lucas Sampaio, durante evento no Conselho Federal de Psicologia (CFP), em Brasília.

A música sempre foi, para mim, mais do que uma paixão; ela é uma extensão da minha própria essência. Como músico autista brasileiro e palestrante, a melodia e o ritmo são linguagens que compreendo em um nível profundo, muitas vezes, mais do que as palavras. Minha experiência com o autismo moldou a forma como ouço, crio e me conecto com o som, transformando-o em um elo poderoso com o mundo.


Não há uma única maneira de ser autista, e a forma como cada um de nós se relaciona com a música é igualmente única. Hoje, quero convidar você a mergulhar na minha perspectiva pessoal sobre essa conexão, explorando como o autismo e a música se entrelaçam em minha vida, criando uma sinfonia particular de expressão e inclusão.


O Autismo como singularidade e a Música como expressão


Desde muito cedo, percebi que o mundo à minha volta, com sua enxurrada de estímulos, podia ser avassalador. Mas a música era diferente. Ela trazia ordem ao caos, uma estrutura previsível que acalmava e fascinava. Lembro-me de como as vibrações das cordas de um violão ou a cadência de uma melodia podiam me transportar para um lugar de conforto e compreensão.


Essa hipersensibilidade aos sons, uma característica comum para muitas pessoas no espectro do autismo, em vez de ser um desafio, tornou-se uma porta de entrada para um universo de possibilidades. Foi o meu primeiro acorde com a vida, onde descobri que minha forma única de perceber o mundo, minha neurodiversidade, era uma ponte para a música.


Harmonia e conexão: a Música como ponte para a Neurodiversidade


Minha jornada como músico autista me mostrou que a música é uma poderosa ferramenta de inclusão. Em minhas palestras, quando introduzo trechos de minhas composições, vejo como a audiência se conecta de uma forma diferente. É como se a música abrisse canais de conscientização que as palavras sozinhas talvez não alcançassem.


Ela desmistifica o autismo, mostrando que somos capazes de criar, de sentir e de nos conectar de maneiras profundas e significativas. A música tem a capacidade de nos lembrar que, apesar das diferenças, todos compartilhamos a humanidade, e que a neurodiversidade é uma rica tapeçaria de talentos e perspectivas.


Inspirando a inclusão através da Arte


O que eu desejo é que a minha perspectiva pessoal sobre autismo e música inspire outros a buscarem suas próprias linguagens de expressão e conexão. Que mais pessoas com neurodiversidade encontrem na música, ou em outras formas de arte, um caminho para se comunicarem, para se sentirem vistas e compreendidas.


É um legado que se constrói a cada nota tocada, a cada palestra ministrada, mostrando que a inclusão não é um ideal distante, mas uma realidade que pode ser composta coletivamente, onde cada som, por mais único que seja, contribui para uma grande e bela sinfonia. Minha jornada com o autismo e a música é uma prova viva de como as nossas particularidades podem se tornar grandes forças.


A música não só me deu uma voz, mas também me permitiu construir pontes de empatia e inclusão com o mundo. Como músico e palestrante autista, continuarei a compartilhar essa melodia de conscientização, mostrando que a neurodiversidade é uma parte essencial e vibrante da nossa humanidade.


Se a minha história ressoa com você e você deseja acompanhar essa jornada musical e de inclusão, convido você a me seguir no Instagram. Juntos, podemos fazer do mundo um lugar onde todas as melodias sejam ouvidas e celebradas.



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