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Quais são os níveis de suporte no Autismo? Desmistificando o Transtorno do Espectro Autista (TEA)

  • Foto do escritor: cantorlucassampaio
    cantorlucassampaio
  • 14 de set.
  • 4 min de leitura
Lucas Sampaio, jovem músico e palestrante autista, sorri enquanto olha diretamente para a câmera, segurando um violão. Ele está sentado em uma sala de estar, vestindo uma camiseta branca com um crachá que tem os dizeres "AUTISMO" visíveis em destaque. Ao fundo, um violão e um ukulele estão pendurados em uma parede branca, e estantes com objetos decorativos podem ser vistas. A foto, iluminada de forma natural e clara, transmite uma sensação de tranquilidade, confiança e autenticidade, sendo ideal para perfis profissionais e sites que promovem palestras sobre neurodiversidade e inclusão.

O universo do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é vasto e complexo. Por muito tempo, a sociedade se apegou a termos simplistas como "autismo leve", "autismo moderado" ou "autismo severo". Embora esses rótulos possam parecer uma forma fácil de categorizar, eles são, na verdade, equivocados e limitantes. Eles não capturam a verdadeira essência do autismo, que se manifesta de forma única em cada indivíduo. A maneira correta e clinicamente aceita de descrever as necessidades de uma pessoa autista hoje é através dos níveis de suporte.

Esse conceito, introduzido pelo Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), foca nas necessidades de apoio que cada pessoa precisa para se desenvolver e prosperar, e não em uma "gravidade" do transtorno.


Entendendo os níveis de suporte no Autismo


A ideia principal por trás dos níveis de suporte é que o autismo não é uma doença com diferentes graus de "curabilidade", mas sim uma condição neurológica que exige diferentes níveis de apoio em áreas específicas da vida. A avaliação se concentra em duas categorias principais: Comunicação Social e Comportamentos Restritos e Repetitivos.

A classificação é dividida em três:


Nível 1 – Exige suporte: Pessoas neste nível geralmente têm uma comunicação oralizada e não oralizada funcional, mas podem ter dificuldades em iniciar interações sociais ou em manter uma conversa de mão dupla. Suas inflexibilidades comportamentais podem causar interferências significativas em uma ou mais áreas da vida. Um indivíduo neste nível, muitas vezes, é quem a sociedade rotula como "leve" ou "síndrome de Asperger". A realidade, no entanto, é que a pessoa pode enfrentar desafios imensos em ambientes não estruturados, como reuniões de trabalho ou eventos sociais, necessitando de suporte para navegar por essas situações.


Nível 2 – Exige suporte substancial: Indivíduos neste nível possuem mais dificuldades na comunicação social. A inflexibilidade no comportamento e as rotinas fixas são mais evidentes e podem ser um obstáculo significativo para o funcionamento em diversas esferas da vida. O suporte é necessário para ajudar a pessoa a lidar com mudanças e a participar de forma mais ativa na vida social.


Nível 3 – Exige suporte muito substancial: Possuem maiores dificuldades na comunicação oralizada e não oralizada. A inflexibilidade de comportamento e a extrema dificuldade em lidar com mudanças são características marcantes, que causam grande interferência em todas as áreas da vida. O apoio constante é fundamental para o dia a dia e para a segurança emocional da pessoa.


Por que a mudança na classificação é importante?


A transição de "graus" para níveis de suporte não é apenas uma mudança de nomenclatura; é uma mudança de paradigma.


1. Foco nas necessidades, não na deficiência em si: A nova abordagem tira o foco do que o autista "não pode fazer" e o coloca no que ele precisa para se desenvolver. Isso é crucial para que gestores de empresas, educadores e profissionais de saúde entendam que o objetivo não é "normalizar" o indivíduo, mas fornecer as ferramentas e o ambiente necessários para que ele possa prosperar em sua própria forma de ser.


2. Flexibilidade e fluidez do suporte: O autismo não é estático. Uma pessoa pode precisar de mais suporte em um momento de estresse ou mudança, e menos em um ambiente familiar e seguro. O conceito de níveis reconhece essa fluidez, ao contrário dos rótulos antigos que fixavam a pessoa em uma "caixinha" para o resto da vida.


3. Valorização da individualidade: O espectro autista é vasto, e cada pessoa é um universo. Descrever o autismo com base em níveis de suporte nos permite ver o indivíduo de forma completa, reconhecendo suas habilidades, desafios e necessidades específicas. Essa abordagem é a chave para a verdadeira inclusão.


Lucas Sampaio: a voz que une música e neurodiversidade


A desconstrução desses mitos e a promoção de uma compreensão mais profunda do autismo são o cerne do meu trabalho como músico e palestrante autista. Através de minhas palestras, que unem a vivência pessoal com a arte da música, eu mostro na prática como o autismo não se encaixa em moldes sociais.


Minhas palestras são desenhadas para quebrar os estereótipos e mostrar que, independentemente do nível de suporte, a pessoa autista é um ser humano, com talentos, sentimentos e a capacidade de contribuir para o mundo. A música, parte integrante de minhas apresentações, é a ferramenta que eu uso para traduzir a complexidade do autismo de forma leve e acessível. Ela serve como uma ponte emocional, quebrando barreiras e conectando o público à realidade da neurodiversidade.


Para empresas, órgãos públicos e escolas, minhas apresentações oferecem uma oportunidade única de entender a importância de criar ambientes que não apenas toleram a diversidade, mas que a celebram. O objetivo é que, ao saírem de minhas palestras, os contratantes e suas equipes compreendam que o autismo não é algo a ser "curado" ou "escondido", mas uma parte da tapeçaria humana que, com o suporte adequado, enriquece a todos. A inclusão, afinal, não é sobre encaixar a pessoa em um mundo já existente, mas sobre construir um mundo novo, mais justo e acessível para todos.



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