Qual o nosso lugar no mundo? A urgente busca pela inclusão de pessoas autistas
- cantorlucassampaio
- 22 de abr.
- 2 min de leitura
Atualizado: 2 de set.

Desde muito cedo, uma pergunta persistia em meus pensamentos, misturada ao universo particular dentro de mim: qual o meu lugar? Para alguém no espectro autista, essa indagação pode carregar um peso ainda maior, em um mundo que, em sua maioria, parece não ter sido construído para abraçar a neurodiversidade em sua plenitude.
Isso me remete aos olhares de estranhamento nos lugares, a dificuldade em decifrar códigos sociais e da exaustão de me encaixar em padrões e predefinidos. E sei que essa não é apenas a minha história. É a narrativa de inúmeras pessoas autistas que, diariamente, navegam por um mundo que ainda está 'engatinhando' em sua jornada rumo à inclusão REAL.
Hoje, visualizo esse cenário por um ângulo mais experiente, como músico e palestrante que compartilha sua vivência. Vejo avanços tímidos, iniciativas isoladas, mas também uma persistente falta de compreensão do sistema como um todo. Todo mundo fala sobre inclusão, mas as barreiras arquitetônicas, comunicacionais e atitudinais ainda são muros altíssimos para muitos de nós.
A importância da real inclusão de pessoas autistas
Nas escolas, a inclusão muitas vezes se resume à matrícula, sem o suporte pedagógico e humano necessário para um aprendizado eficaz. No mercado de trabalho, o potencial de pessoas autistas e neurodivergentes é frequentemente subestimado, focado em suas dificuldades em vez de suas habilidades. Nas interações sociais, a falta de conhecimento e informação acarreta em estereótipos e, consequentemente, isolamento.
Mas qual o nosso lugar nesse mundo que parece hesitar em nos acolher por completo? A resposta não está em uma adaptação incessante a 'padrões' neurotípicos, mas sim em um mundo que se transforma para reconhecer a riqueza da diversidade.
A busca pela inclusão de pessoas autistas é urgente. Não se trata apenas de garantir direitos na lei ou no papel, mas de criar espaços onde pessoas autistas possam se sentir verdadeiramente pertencentes, onde suas vozes sejam ouvidas, e suas contribuições sejam valorizadas. É sobre um mundo que educa suas crianças sobre as diferentes formas de pensar, que capacita seus líderes e profissionais a trabalharem de forma inclusiva e que constrói cidades acessíveis em todos os sentidos.
O que o mundo está fazendo hoje? Alguns estão abrindo portas, desconstruindo preconceitos, implementando práticas inovadoras. Mas muitos ainda estão presos a velhos paradigmas, à ignorância e à falta de empatia. A jornada é longa, mas a urgência da inclusão verdadeira nos impulsiona a continuar questionando, a educar e a inspirar a transformação. Nosso lugar é aqui, no círculo de todos, e cabe a toda a população construí-lo juntos, com um passo inclusivo de cada vez.



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